Armadilhas na estrada

' ' : ' '
Quando iniciamos um deslocamento, seja na cidade ou na rodovia, temos a preocupação, ou pelo menos deveríamos ter, das possíveis armadilhas, ou perigos que iremos enfrentar. A maioria de nós logo pensa nas condições das estradas. A condição do pavimento, a sinalização e os traçados das ruas e rodovias são muito importantes e fundamentais para garantir a segurança de todos. Tanto é que a nova ordem mundial em segurança viária, a Visão Zero, traz um olhar muito interessante sobre as vias, implementando o conceito de “vias que perdoam”. Ou seja, as pessoas vão errar e, quando elas errarem, o sistema deve ser projetado para absorver ao máximo este erro, fazendo com que a consequência seja a menos danosa possível. Voltando às armadilhas, depois das estradas, o que pensamos? Garanto que a maioria dos leitores deve ter em mente aquele mantra: “devemos ter mais cuidado com os outros”. Jogo alto que você também já falou isso quando saiu para viajar. E é correto, afinal de contas, você não sabe o que se passa na cabeça do vivente que está vindo com o veículo em sentido contrário ao seu. Mas aí eu pergunto: e você sabe o que se passa dentro da sua própria cabeça? Deve estar em gargalhadas e com um certo ceticismo dizendo “o que este louco pensa que sou?”, capaz de não saber o que penso. Pois aí, caro leitor, mora uma das grandes armadilhas da estrada, nosso comportamento não é só regido pelo que achamos que pensamos, mas uma teia ramificada de vários fatores, sendo que a maioria são inconscientes, ou seja, nem sempre o que faz eu pisar fundo é um pensamento deliberado. E isto não era ensinado nas finadas autoescolas, tão pouco é algo com que nos preocupamos diariamente, mas que com toda certeza é o carro-chefe que nos move pelo mundo. Com o avanço da neurociência, principalmente devido aos exames de imagens, os estudiosos estão conseguindo decifrar como nosso comportamento se desenvolve e como nosso cérebro lida com as infinitas informações que nos rodeiam. Só para termos uma ideia, nossa atenção se divide em quatro ramos: Sustentada (manter o foco por muito tempo), Seletiva (focar em um estímulo e ignorar distrações), Dividida (multitarefa, focar em vários estímulos) e Alternada (alternar rapidamente o foco entre tarefas). E cada uma com suas nuances. Ainda temos o hábito que agirá diretamente sobre a nossa atenção. E regendo tudo isso, o nosso subconsciente, o grande maestro do comportamento. Vejam que não é apenas cuidar dos outros, mas fundamental nos conhecermos muito, para podermos evitar os comportamentos de risco no trânsito. Nas próximas semanas, vamos falar um pouco de como nosso comportamento acontece. Até lá!
