Um olho no peixe, outro no gato

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Este ditado popular é um bom começo para nossa conversa. Lembram que na semana passada falei que talvez nosso consciente não estivesse no comando de nossos comportamentos no trânsito? Então vamos lá. O ato de dirigir é muito complexo e ao mesmo tempo um dos mais banais que temos. Este começo paradoxal já demonstra a importância da ciência de como agimos no trânsito. Logo quando obtemos a CNH, ou aprendemos a dirigir, cada troca de marcha, cada ajuste no retrovisor demanda um grande esforço cognitivo. Pensamos muito antes de fazer estes comandos. Com o passar do tempo e da nossa experiência, os comandos mais utilizados vão sendo transferidos do lóbulo pré-frontal, onde ocorre o pensamento cognitivo consciente, para a base cerebral, nos núcleos que trabalham nosso subconsciente. Nosso cérebro é muito econômico, e quando ele vê que as ações são recorrentes, ele entende que não precisa mais gastar tanta energia e coloca a ação em espera, ou seja, joga para o subconsciente. Assim, podemos brincar que somos zumbis de nossos hábitos, quer ver só: quem nunca estava indo ao supermercado pensando na lista de compras, e quando se dá conta, está no caminho do serviço? É o nosso subconsciente no comando. Dentro desta estratégia, ainda nosso cérebro divide a nossa atenção, que podemos, didaticamente, dizer que são: a atenção sustentada mantém o foco contínuo na estrada por longos períodos, monitorando sinais, pedestres e outros veículos. Ela é crucial em rodovias, onde um lapso de segundos pode ser fatal; já a atenção seletiva filtra distrações, priorizando o que importa – como um ciclista surgindo à frente – ignorando ruídos laterais, está ligada ao nosso subconsciente. Por fim, a atenção dividida permite alternar rapidamente entre tarefas, como checar retrovisores e acelerar em uma ultrapassagem. Aqui devemos ter o cuidado com o celular. Mandar uma mensagem ou rolar o feed do Instagram rouba toda a atenção sustentada por 4 a 5 segundos, equivalente a percorrer um campo de futebol a 100 km/h às cegas. Lembrando que, quando nos distraímos com a tela, todas as atenções estão sequestradas, e nem mesmo a atenção seletiva, que fica filtrando os eventos, desliga. Quem determina o controle é você, ou melhor, sua condição de atenção e como você está preparado para andar no trânsito. Portanto, a atenção deve ser constante e o policiamento de como você age no trânsito deve ser seu guia de como vai ser seu comportamento na estrada.
