O colo que ensina a nunca desistir

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O Dia das Mães sempre mexe comigo de um jeito diferente. Talvez porque, antes de qualquer cargo ou função pública, eu seja filha de uma mulher que me ensinou, na prática, a fonte e o verdadeiro significado da força que move a mulher catarinense.
Minha mãe criou sua família enfrentando as dificuldades que muita gente conhece bem no interior: trabalho duro, poucas oportunidades e a responsabilidade de seguir em frente mesmo quando parecia não haver caminho. Foi vendo ela lutar todos os dias que aprendi valores que carrego até hoje — honestidade, coragem, fé e a certeza de que ninguém vence sozinho.
Ela me levava pra roça. Cresci, primeiro, vendo o esforço silencioso de uma mãe que acreditava no estudo como ferramenta de transformação. Depois, com um pouco mais de idade, passei a ir com ela pra ajudar no trabalho e aumentar um pouco o dinheiro que ganhávamos pra ajudar em casa. Desse dinheiro, parte ela me dava pra comprar alguma coisa pra mim, normalmente um tênis novo pra usar na escola. A questão, aqui, é que mesmo diante das dificuldades, ela nunca deixou que eu desistisse dos meus sonhos. Foi ela quem me incentivou a estudar, a seguir em frente e suportar fases difíceis da vida, quando muitas vezes o único caminho possível era trabalhar em troca de um teto para poder continuar estudando.
Durante boa parte da minha adolescência eu precisei morar em casa de família, ajudar no serviço de casa e enfrentar uma rotina pesada para conseguir manter os estudos. E em cada uma dessas fases, minha mãe repetia a mesma coisa: que aquilo era passageiro, que o esforço valeria a pena e que o futuro seria construído com coragem e persistência.
Essas palavras nunca saíram da minha memória.
Talvez por isso eu tenha aprendido cedo que dignidade não vem da facilidade, mas da capacidade de continuar caminhando mesmo diante das dificuldades. E talvez seja por isso também que eu nunca tenha perdido a capacidade de olhar para as pessoas com sensibilidade, principalmente aquelas que enfrentam batalhas silenciosas todos os dias.
Existe uma força e uma sabedoria muito particular nas mães do interior. Elas sustentam famílias, ajudam na lavoura, enfrentam dificuldades financeiras e, ainda assim, encontram espaço para acolher, aconselhar e proteger. São mulheres que raramente aparecem nas manchetes, que quase ninguém enxerga, mas que sustentam comunidades inteiras com dedicação, trabalho, fé e amor.
Na política, essa vivência muda nossa forma de enxergar as coisas. Quem conhece a realidade de uma mãe que luta para garantir estudo aos filhos entende que gestão pública não pode ser apenas número e burocracia. Política precisa ter humanidade, precisa enxergar as pessoas e entender suas dificuldades reais. Essa, talvez, foi uma das maiores lições que aprendi quando fui prefeita de Palmeira.
É por isso que sempre enxerguei a vida pública como missão. Porque quando a gente vem de uma história simples, como eu, aprende que a educação e as oportunidades podem, sim, mudar destinos, e que muitas famílias só precisam de apoio, dignidade e alguém disposto a abrir caminhos.
Neste Dia das Mães, meu abraço mais sincero vai para todas as mulheres que seguem firmes, mesmo cansadas. Para todas as mães como a minha mãe, que sempre carregaram seu mundo nas costas. Para aquelas que transformam dificuldade em coragem e fazem do amor a maior força dentro de casa.
Tudo o que sou começou no colo de uma mãe que nunca deixou eu desistir do futuro, e talvez seja justamente por isso que eu siga acreditando tanto na força das pessoas simples do interior. É com eles que mora a verdadeira sabedoria.
E filhos, entendam isso: quem aprende cedo o valor do esforço também aprende a nunca esquecer de onde veio, e por quem vale a pena continuar lutando e abrindo caminhos todos os dias.
