Morte após cirurgia estética: investigação revela atuação sem habilitação e clínica irregular em Lages

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A 1ª Delegacia de Polícia de Lages concluiu investigação sobre a morte de um paciente, ocorrida em 16 de junho de 2026, após procedimento estético cervicofacial realizado em uma clínica da cidade. Perícias e demais diligências apontaram que a morte decorreu de choque hipovolêmico hemorrágico. Segundo o Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina, o profissional responsável possuía registro apenas em Harmonização Orofacial e não tinha habilitação nas especialidades exigidas para a técnica realizada.
A investigação também identificou a realização reiterada de procedimentos invasivos e complexos sem a habilitação técnica correspondente. A sedação foi realizada por uma médica, enquanto parte da clínica funcionava sem os alvarás sanitário e de funcionamento exigidos. Diante do risco à saúde de terceiros, a Justiça determinou a suspensão de procedimentos cirúrgicos para os quais o investigado não possui habilitação e a retirada de publicações nas redes sociais relacionadas a essas cirurgias. Os profissionais envolvidos foram indiciados, em tese, por homicídio — doloso ou culposo, conforme a participação — e exercício ilegal da profissão. O Ministério Público acompanhou o entendimento da Polícia Civil e requereu o encaminhamento do caso à Vara do Júri.
A Polícia Civil orienta a população a verificar, antes de qualquer procedimento estético ou cirúrgico, se o profissional possui registro ativo e habilitação específica no CRM ou CRO, além de confirmar a validade dos alvarás do estabelecimento. A recomendação é não confiar exclusivamente em resultados divulgados nas redes sociais. Casos de exercício irregular da profissão ou funcionamento clandestino de estabelecimentos de saúde podem ser denunciados aos órgãos de fiscalização ou à Polícia Civil pelo Disque-Denúncia 181.
Relembre o caso
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a morte da empresária Geny Maria Angeli Michielin, de 70 anos, ocorrida na última quarta-feira (17), um dia após ela realizar um procedimento de rejuvenescimento facial em uma clínica no Centro de Lages. A investigação, conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia da Comarca de Lages, busca esclarecer as circunstâncias do atendimento e verificar se houve eventual irregularidade durante a cirurgia.
Na sexta-feira (19), agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na clínica e recolheram HDs com imagens e documentos. A Polícia Civil também solicitou o prontuário médico do hospital onde a paciente foi atendida e aguarda a análise de laudos da Polícia Científica. O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) informou que está fornecendo as informações solicitadas e abriu investigação própria para apurar a conduta do profissional envolvido.
Geny era empresária e proprietária de uma fábrica de solas para calçados em Caçador, no Meio-Oeste catarinense. A morte causou comoção na comunidade, com diversas homenagens nas redes sociais. Em nota, a clínica afirmou que possui estrutura adequada, que adotou os protocolos previstos e que está colaborando com as autoridades na investigação.
