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Justiça prepara profissionais para atuação em grupos reflexivos com autores de violência doméstica

21/09/2026 17:18

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Prevenir novos casos de violência doméstica por meio da reflexão e da mudança de comportamento de homens autores de agressões. Com esse objetivo, profissionais de municípios da Serra e de outras regiões de Santa Catarina participaram, entre os dias 16 e 18 de setembro, da terceira turma do curso prático para facilitadores de grupos reflexivos para homens autores de violência, promovido pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) e pela Academia Judicial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), na Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), em Lages.

A formação busca preparar profissionais para atuar em grupos reflexivos, espaços nos quais homens envolvidos em casos de violência doméstica são estimulados a compreender as consequências de seus atos, assumir responsabilidades e adotar novos comportamentos. A iniciativa integra as ações do Judiciário catarinense voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

Participaram da capacitação profissionais de Lages, Bom Retiro, Campo Belo do Sul, Correia Pinto, Otacílio Costa, São Joaquim, Anita Garibaldi e Ituporanga, além de integrantes da Secretaria de Estado da Justiça e Reintegração Social (Sejuri) e de profissionais indicados pelo Ministério Público de Santa Catarina.

Os formadores David Tiago Cardoso e Ana Carolina Maurício explicaram que o curso foi desenvolvido para fortalecer a atuação dos facilitadores que conduzem esses grupos. A programação reuniu conteúdos teóricos e atividades práticas sobre triagem, acolhimento, facilitação de encontros e manejo de resistências, preparando os participantes para uma atuação técnica e alinhada às diretrizes do programa.

O curso teve apoio dos magistrados da comarca de Lages e da região. O juiz Edison Alvanir Anjos de Oliveira Júnior destacou a importância da qualificação contínua dos profissionais que atuam na área. “Capacitar profissionais é fortalecer uma rede que trabalha para prevenir novas situações de violência e promover mudanças de comportamento”, afirmou.

A Serra catarinense se destaca pelo número expressivo de facilitadores de Justiça Restaurativa e de grupos reflexivos, realidade que tem contribuído para a expansão dessas iniciativas e para o fortalecimento da rede de proteção às mulheres na região.

Coordenador do Núcleo de Justiça Restaurativa de Lages, que completou três anos de atuação em 11 de setembro, o juiz Alexandre Karazawa Takaschima destacou que a capacitação fortalece uma rede na região. “A formação amplia a capacidade de atuação dos profissionais e fortalece estratégias voltadas à redução da violência doméstica e familiar”, observou.

A juíza Karoline Casa, da comarca de Correia Pinto, participou do curso acompanhada de sua equipe. Segundo ela, a formação contribui para aprimorar o trabalho desenvolvido pelos profissionais que integram a rede de atendimento às mulheres. “A troca de experiências e as atividades práticas proporcionam aprendizados valiosos para qualificar nossa atuação”, destacou.

A coordenadora da Cevid, desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, enfatizou que a capacitação vai além da formação técnica dos participantes. “Cada profissional capacitado representa mais uma oportunidade de interromper ciclos de violência e promover mudanças de comportamento. É assim que fortalecemos as políticas públicas e ampliamos a proteção às mulheres em Santa Catarina”, ressaltou.

Para o psicólogo João Batista Rios Machado, servidor da Cevid, a iniciativa representa uma oportunidade de promover uma cultura de paz ao associar a responsabilização e a ressignificação do homem autor de violência ao fortalecimento do ambiente familiar. Ele observa que Lages reúne condições favoráveis para esse trabalho integrado por concentrar experiências consolidadas tanto na Justiça Restaurativa quanto nos grupos reflexivos.

A ação integra o Projeto Ágora, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e segue as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Também está alinhada ao indicador de capacitação de servidores previsto no macrodesafio de aperfeiçoamento da gestão de pessoas da Estratégia Nacional do Poder Judiciário 2021-2026.

DCOM/TJSC - Taina Borges

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