Entre a prefeitura e a polícia: os episódios que transformaram o vice-prefeito em réu

' ' : ' '
A denúncia do MPSC que tornou réu o vice-prefeito de Lages, Jair Junior (ex-Podemos), por depredação de patrimônio público — ao supostamente furar um pneu do carro oficial utilizado pela prefeita Carmen Zanotto (Cidadania) — revelou muito mais do que um simples conflito institucional. O episódio trouxe à tona detalhes de um processo ainda mais grave, envolvendo acusações de maus-tratos e cárcere privado contra uma ex-namorada, fato que marcou o rompimento político entre ambos.

Junior já responde como réu nesse segundo processo desde maio de 2025. O caso foi anexado ao inquérito que também envolve a prefeita Carmen Zanotto e tem julgamento previsto para a próxima segunda-feira, dia 2 de fevereiro. A apuração, à qual a reportagem do Portal Upiara teve acesso, descreve uma sucessão de acontecimentos que extrapolam o campo político e apontam para uma situação de violência doméstica extrema, marcada por medo, agressões e humilhações.
De acordo com o MPSC, os fatos ocorreram após o fim do relacionamento. A vítima, com identidade preservada, teria aceitado conversar com o acusado apenas para reafirmar que não desejava retomar a relação. No entanto, segundo a denúncia, ela foi levada contra a sua vontade para uma residência, onde teve a liberdade restringida: portas trancadas, telefone retirado e impossibilidade de sair ou pedir ajuda. Durante horas, teria sido submetida a agressões físicas, ameaças constantes e intensa violência psicológica.

Os autos relatam ainda momentos de profunda humilhação e desespero, nos quais a vítima, temendo pela própria vida, chegou a implorar de joelhos para ser libertada. Laudos periciais confirmam lesões compatíveis com as agressões descritas. Mesmo após deixar o local, a mulher não estaria em segurança: ao procurar a delegacia, teria sido seguida pelo acusado, que tentou impedir o registo da ocorrência, situação que só foi controlada com a intervenção policial e a prisão em flagrante do vice-prefeito.
Perseguição em redes sociais
Antes do relato da violência, segundo a denúncia, o acusado usava o perfil oficial da SEMASA (Secretaria Municipal de Águas e Saneamento) no Instagram para vigiar a rotina da vítima. À época presidente da autarquia municipal responsável pelos serviços de água e saneamento de Lages, ele utilizava a conta institucional para acompanhar publicações, observar com quem ela interagia e monitorar seus deslocamentos.
A partir dessas informações, enviava, supostamente, mensagens privadas e ligações exigindo que a vítima voltasse para casa, afirmando frases como “vai para casa agora” e “eu sei onde você está”. Em um dos episódios descritos no processo, a vítima saiu para tomar sorvete com um amigo. Ao tomar conhecimento do encontro, o acusado abordou o homem de forma intimidatória, afirmando que ele “não sabia com quem estava se metendo” e que havia “mexido com a pessoa errada”.
Jair Junior foi exonerado por Carmen Zanotto da presidência da Semasa ainda em março de 2025, dias após a prisão em flagrante.
existência de outros procedimentos criminais em andamento envolvendo o acusado. Para o Ministério Público, as falas e a conduta demonstram perseguição contínua, agravada pelo uso indevido de um canal oficial da administração pública para fins pessoais e de intimidação.
Fonte: Upiara Bosque
