Caminhos Literários usa arte como ferramenta de superação e transformação social

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Adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em Santa Catarina participaram da 5ª edição do projeto "Caminhos Literários no Socioeducativo: pelo direito à cultura", iniciativa promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com o apoio do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), as atividades ocorreram nas unidades de Lages e Criciúma e utilizaram a cultura e o movimento hip-hop como ferramentas de expressão, inclusão e transformação social.
Já o evento previsto para o Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE) de São Miguel do Oeste precisou ser transferido e será realizado na próxima sexta-feira, 10 de julho.
Na Casa de Semiliberdade (CSL) de Lages, a programação foi desenvolvida em 1º de julho, com uma oficina de street dance ministrada pelo professor de dança Robson Oliveira, da Fundação Municipal de Cultura. Participaram da atividade nove adolescentes da unidade.
Durante a oficina, os participantes aprenderam e praticaram passos básicos de dança, em uma proposta que uniu cultura, expressão corporal e convivência. A atividade despertou grande interesse dos adolescentes, que participaram ativamente de todas as etapas do evento.
Segundo o coordenador pedagógico da CSL de Lages, Edson Vanderlei Rosar, a iniciativa proporcionou benefícios que vão além do aprendizado artístico. “Os adolescentes exercitaram a saúde, a disciplina e a convivência social, despertando relações mais pacíficas e respeitosas. Essas ações fortalecem vínculos, revelam talentos e preparam cada um desses jovens para uma reintegração positiva na sociedade”, destacou.
Um dos aspectos observados pela equipe durante a atividade foi a mudança na interação entre os participantes. Adolescentes que costumam adotar uma postura mais introspectiva passaram a interagir de forma positiva com os colegas, com destaque para o fortalecimento dos laços do grupo e a ampliação das oportunidades de convivência.
A experiência também contribuiu para demonstrar que a dança pode ser acessível a todos. Mesmo aqueles sem nenhum contato prévio com a modalidade conseguiram executar os movimentos básicos do street dance. “Mais do que uma atividade cultural, a oficina se tornou um espaço de pertencimento, expressão e reconstrução da identidade”, destacou o coordenador.
Os ensaios, horários e coreografias estimularam valores como compromisso, concentração e perseverança, enquanto as atividades coletivas favoreceram a cooperação, o respeito às diferenças e a confiança entre os participantes. Para adolescentes em conflito com a lei, a vivência representou ainda a possibilidade de serem reconhecidos pelo talento, dedicação e capacidade de evoluir, e não pelos erros do passado.
O juiz Ricardo Fiúza, titular da Vara da Infância e Juventude da comarca de Lages, ressaltou a importância de iniciativas que ampliem o acesso à cultura no contexto socioeducativo. “Projetos como o Caminhos Literários demonstram que a socioeducação também passa pelo acesso à cultura, à arte e a novas formas de expressão. São experiências que estimulam o desenvolvimento pessoal, fortalecem a autoestima e ajudam os adolescentes a construir perspectivas positivas para o futuro”, afirmou.
