Seminário Municipal: Lages se prepara para eventos climáticos extremos e propõe Pacto Regional de Proteção e Defesa Civil na Serra Catarinense

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Evento reúne especialistas e autoridades para debater prevenção de desastres e ações de mitigação dos efeitos climáticos, lideradas pela Prefeitura, diante da previsão de El Niño muito forte em Santa Catarina
A preparação de Lages para enfrentar eventos climáticos extremos e a articulação de uma estratégia regional de prevenção de desastres estão entre os principais objetivos do I Seminário Municipal de Proteção e Defesa Civil: Lages em Alerta, realizado nesta terça-feira (13 de outubro), no Auditório Caverna, na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc Lages). A iniciativa da Prefeitura, por meio da Coordenação Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec), reúne especialistas, representantes de instituições públicas e profissionais da área para discutir gestão de riscos, capacitação e medidas de mitigação dos impactos climáticos.
A data tem significado especial por marcar o Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres e o Dia Municipal de Proteção e Defesa Civil de Lages. Também remete a um dos episódios climáticos mais marcantes da história recente do município: A chuva de granizo de 13 de outubro de 2014, quando mais de 60% do território lageano sofreu algum tipo de dano em decorrência da forte tempestade. Na época, o Governo do Estado, por meio da Coordenação Municipal de Proteção e Defesa Civil, distribuiu 380 mil telhas para atender à população atingida.
A realização do Seminário ganha ainda mais relevância diante das previsões meteorológicas que indicam a possibilidade de um fenômeno El Niño muito forte, com potencial para influenciar o regime de chuvas em Santa Catarina. O cenário exige planejamento, preparação das equipes, articulação institucional e medidas preventivas para reduzir os impactos de possíveis ocorrências.
A programação também abre espaço para ampliar a cooperação entre os municípios da Serra Catarinense. A proposta da prefeita Carmen Zanotto é transformar a iniciativa em um grande Pacto Regional de Proteção e Defesa Civil, envolvendo as administrações municipais na construção de estratégias conjuntas para a prevenção, a preparação e a resposta a eventos adversos. “Precisamos ter uma estrutura pública preparada, com profissionais capacitados, planejamento e condições de agir quando necessário. A prevenção e a preparação precisam fazer parte da rotina da administração pública, principalmente diante das mudanças nos padrões climáticos. Também propus que este Seminário se transforme em um grande Pacto Regional de Proteção e Defesa Civil, envolvendo todos os municípios da Serra Catarinense, porque os desafios climáticos exigem integração e planejamento conjunto. Santa Catarina tem a maior e melhor Defesa Civil do país, e precisamos aproveitar esta experiência e capacidade técnica para ampliar nossa preparação em toda a região”, destaca.
Prevenção e mitigação de efeitos climáticos
Em Lages, as ações de mitigação envolvem serviços preventivos e medidas para diminuir os riscos associados a eventos climáticos. Entre as iniciativas estão a limpeza e o desassoreamento de rios urbanos, além de outras intervenções destinadas a melhorar as condições de escoamento da água e reduzir a possibilidade de alagamentos em áreas vulneráveis, como a constante melhoria no sistema de drenagem pluvial.
O coordenador Regional de Proteção e Defesa Civil do Governo do Estado, Luiz Falcão Maganin, destaca a preparação do município e a importância da continuidade destes trabalhos. “Lages conta com uma Defesa Civil preparada e que realiza serviços rotineiros de prevenção, como a limpeza e o desassoreamento de rios urbanos, além de outras ações de mitigação. Estes trabalhos são fundamentais para reduzir riscos e minimizar os efeitos de eventos climáticos. A capacitação, o planejamento e a integração entre os órgãos públicos também são essenciais para que os municípios estejam preparados para enfrentar situações adversas”, afirma.
O secretário executivo de Proteção e Defesa Civil de Lages, Paulo da Silva Ribeiro (Sargento Ribeiro), ressalta que a preparação municipal considera os cenários previstos pelos órgãos de monitoramento, sem deixar de reconhecer que as previsões podem não se concretizar. “A Defesa Civil de Lages está se preparando para a possibilidade de um evento climático de grandes proporções. Estamos trabalhando com planejamento, capacitação e articulação para que a estrutura pública esteja pronta para atuar se houver necessidade. É claro que nosso maior desejo é que as previsões não se confirmem e que a população não precise enfrentar situações de emergência. Ainda assim, precisamos estar preparados, porque antecipar ações pode fazer a diferença na proteção de vidas e na redução de danos”, enfatiza.
Conhecimento técnico e integração regional
Com atividades das 8h às 21h, o Seminário conta com palestras, apresentação cultural e uma mesa de representantes com o tema “A realidade de Lages diante do cenário climático”. A programação aborda monitoramento meteorológico, sistemas de alerta, educação para a prevenção, eventos climáticos extremos, mudanças no clima, riscos geológicos e inovação tecnológica aplicada à Proteção e Defesa Civil.
Entre os palestrantes estão o meteorologista Frederico Rudorff, da Defesa Civil de Santa Catarina; coronel Carlos Menestrina, secretário municipal de Proteção e Defesa Civil de Blumenau; Tiago Molina Schnorr, meteorologista do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad); meteorologista e professora da Udesc, Claudia Guimarães Camargo; geóloga e professora da Udesc, Raquel Valério de Sousa, e o engenheiro ambiental e hidrólogo, Victor Luís Padilha.
A iniciativa busca ampliar o conhecimento técnico, estimular a troca de experiências e contribuir para o aprimoramento das estratégias municipais de prevenção e resposta.
Texto: Ari Junior
Fotos: Marcos Heitor de Carvalho
