Santa Catarina oficializa Dia de São João Maria e reforça legado de fé e tradição popular

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Santa Catarina deu um passo significativo na valorização de suas tradições culturais e religiosas com a criação do Dia Estadual de São João Maria. A iniciativa está prevista no Projeto de Lei nº 0286/2025, que estabelece a celebração anual em 3 de maio, data já marcada pela devoção popular em diversas regiões do estado.
A proposta, em tramitação na Assembleia Legislativa desde agosto de 2025, avançou pelas comissões responsáveis após ser apresentada em plenário. A escolha do dia não é por acaso: comunidades do Vale do Contestado mantêm viva a memória do monge, associando a data a práticas de fé transmitidas entre gerações. Nessas localidades, são comuns relatos sobre fontes de água consideradas milagrosas e ensinamentos que reforçam a espiritualidade popular.
Certa vez, em conversa com frei Rogério Neuhaus, afirmou ter uma bíblia, de onde tirava suas exortações ao povo. Para a gente humilde e sincera era um profeta, alertando as pessoas a fazer penitência, a orar e ajudar o próximo. Frei Rogério foi ao encontro de João Maria, em dezembro de 1897, em Capão Alto, na casa de José de Bairros (o Vuca), cerca de 20 quilômetros da cidade de Lages.
Nesta ocasião, o monge contou ao frei que nascera no mar e se criara em Buenos Aires; que há dez anos tinha tido um sonho no qual se revelara que ele teria de “caminhar pelo mundo durante 14 anos, sem comer carne nas quartas e sextas-feiras e não pousar na casa de ninguém”.
O frei conta que o povo utilizava as cinzas do fogo de João Maria como “remédio” e o local de seu pouso era cercado e ali plantava-se uma cruz. “Era um homem de seus 50 a 60 anos; estatura média, vestido pobre, mas decentemente”, escreveu Frei Rogério em suas “Reminiscências”.
O eremita teria pousado nos arredores da cidade de Lages, no local da atual Igreja Santa Cruz e bebido água da fonte onde hoje é a Cacimba.
Esteve, conforme relatos orais de antigos moradores, em vários municípios serranos, na época todos pertencentes a Lages. Em Cerro Negro, na Fazenda que pertenceu a Maria Joaquina Alves Batista, existe um pequeno cercado de taipa, na época chamado de Santa Cruz, local de pouso do monge João Maria.
Em Anita Garibaldi, por onde ele também andara, o local é hoje conhecido por “Águas Santas”. E em Cerro Negro existe um lugar conhecido pelo mesmo nome, ponto de peregrinação católica, na Sexta-Feira Santa.
O Fazendeiro e político (ex-prefeito de Lages) Caetano Vieira da Costa teve uma longa conversa com o monge, em sua fazenda no Painel.O encontro entre eles teria ocorrido depois que o fazendeiro tendo conhecimento da passagem do monge pelo Painel, mandou um de seus peões chamá-lo até a fazenda. Ali, João Maria receitou uma “beberagem” feita de “vassourinha” (espécie de carqueja) misturada com cinza do fogo de chão do local de seu próprio pouso, a um peão que estava muito doente, o qual foi completamente curado.
Com a possível oficialização da data, o estado reconhece não apenas uma figura histórica, mas também um importante elemento da identidade cultural catarinense.
Fonte: Prefeitura Municipal de Lages/ Augusto Waldrigues
